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Carlos Susviela
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O xBASE caminha para o fim ?

Nos meses finais de 1.999 eu trabalhava em uma empresa que utilizava (e ainda utiliza) um programa de gerenciamento e andamento de documentos feito em Clipper. E como havia a euforia do bug do milênio meu gerente estava estudando como fazer para compatibilizar seu sistema para o ano 2.000 junto à empresa que havia desenvolvido o tal software.

Eram meados de julho de 1.999 e a empresa disse que já estava em andamento a atualização "for windows" do sistema e que ele não precisava se preocupar. Tudo bem até final de novembro quando a empresa pediu um prazo até o início de fevereiro de 2.000.

O software simplesmente controlava todo o andamento de todos os documentos internos da empresa e não dava simplesmente para parar a empresa por pouco mais de um mês. Eis que meu gerente muito preocupado me questionou sobre a possibilidade da conversão do sistema para o ano 2.000.

Eu lhe disse que o Clipper não sofria desse mal, apenas os programadores se "esqueciam" de compatibilizar seus sistemas para o Y2K. Ele me olhou sem entender o que eu havia dito e perguntou como poderia ser isso? Respondi que bastava colocar apenas mais uma linha de programação no módulo principal e recompilar o sistema. Como os programas-fonte estavam conosco (por meio de um contrato prévio com a empresa desenvolvedora) eu mesmo fiz a "modificação milagrosa" incluindo o "SET EPOCH TO", muito conhecido dos "clippeiros", alterando a janela para 1.980 já que não havia documentos anteriores a 1.995 (época da implantação do sistema). Ou seja, o sistema tem agora o "bug do ano 2.080", mas até lá já devem ter atualizado o tal software.

Esta introdução serve apenas para elucidar que o xBASE foi feito para durar. Linguagens mais novas como o VB ou o Delphi em suas primeiras versões não reconheciam o ano 2.000 e nem permitiam a troca da "janela de virada de século". Pior ainda é o próprio Windows já na versão 95 A não ser compatível com o ano 2.000.

Com o advento das linguagens visuais caiu um pouco a produção de sistemas xBASE em suas telas caractere (em janelas DOS). Mas ainda existem muitos sistemas grandes em uso como o COLIBRI (conhecido sistema paulista de automação comercial feito em Clipper), o SICREDI (um sistema rio grandense para automação de cooperativas) e muitos outros que ainda hoje são vendidos.

Não podemos nos esquecer que estes sistemas "rodam" muito bem em computadores antigos como 386 e 486 que são o sonho de todas micro e pequenas empresas que não podem gastar com máquinas superiores, mesmo um já "antigo" Pentium MMX.

Devemos lembrar das empresas símbolo de sistemas xBASE, as vídeo-locadoras. Além de continuarem a utilizar seus sistemas xBASE existem aquelas que ainda estão abrindo suas portas e que contam com computadores até da época dos 286 (pasmem). E não são apenas as vídeo-locadoras, a grande maioria de micros e pequenas empresas como confeitarias, panificadoras, açougues, etc, optam por não investir muito em tecnologia. Não porquê não querem, mas porquê não podem. E daí? O que fazer? Não há outra solução a não ser "pôr para rodar" um sistema caractere em uma máquina antiga (mas não obsoleta).

E não pára por aí. As linguagens xBASE não pararam no tempo como muitos acreditam. Existem vários correlatos para todas as plataformas como o Visual Fox Pro, o Db2K ou o Fivewin (todos para windows), como, também, o Harbour e o Flagship (para Linux e Unix). Todos prometem um mínimo de conversão dos antigos programas-fonte para poder funcionar em uma outra plataforma.

O xBASE hoje já acessa servidores de bancos de dados como o Oracle, SQL Server ou o MySQL via ferramentas de terceiros. Sem contar que têm também suporte a execução centralizada parecida com os mainframes ou equipamentos RISC e seus "terminais burros" não necessitando de todo um parque de equipamentos superiores apenas para conseguirem "rodar" os seus sistemas.

Se pensarmos bem, o xBASE é a linguagem que mais tem chance de continuar seu caminho em relação a qualquer outra linguagem para desenvolvimento de programas comerciais.

O Visual Basic nunca existirá em outra plataforma a não ser no próprio windows. O Delphi por sua vez está tentando "aos trancos e barrancos" entrar na plataforma linux por meio do Kylix. O grande "problema" é sua interface visual que deve ser compatibilizada para várias (ou ao menos as mais utilizadas) interfaces visuais do linux (as x-windows como a KDE por exemplo).

Uma linguagem caractere é mais fácil de ser implementada e bem menos propensa a bugs já que não haverá objetos visuais a serem controlados pela linguagem. E justamente pela sua concepção a linguagem caractere é mais "leve" e funciona normalmente até em equipamentos considerados "obsoletos" (como é o caso das vídeo-locadoras e seus 386s e 486s).

Ainda existem muitos usuários que não se dão muito bem com interfaces visuais, achando que complicam muito (antes era mais fácil por só ter um caminho a seguir para cada tarefa) e esses usuários tendem a pedir o funcionamento da tecla "Enter" para mudança de campo no lugar do "Tab" das linguagens visuais.

O tempo geral de desenvolvimento de um projeto em uma linguagem visual e uma linguagem caractere não é muito diferente. O desenvolvimento inicial em uma linguagem visual é bem mais rápido que em uma linguagem caractere. Em contrapartida o tempo em depuração do código é substancialmente superior pela maior quantidade de linhas e pela dispersão do código por advento dos eventos.

Para cada rotina, cada clique do mouse ou o acionamento de uma tecla deverão ser verificadas em algum evento de algum objeto nas linguagens visuais enquanto que nas linguagens caractere a programação é do tipo Top-Down, tem apenas um começo e apenas um término bem definido e todas as tarefas tem apenas um caminho a ser percorrido o que torna a depuração (e até mesmo a manutenção do código) mais rápida e fácil. Um sistema feito em linguagem caractere é bem menos passível de erros que um sistema feito em linguagem visual por ter menos onde errar.

Não estou abolindo as linguagens visuais, eu mesmo desenvolvo em linguagem visual. Só não parei de desenvolver em linguagem caractere (não só xBASE) e assim, na maioria das vezes, consigo atender aos meus clientes da melhor forma possível, tecnologicamente ou economicamente, como ditar a situação.

Por Fabiano Maia Franco - Publicado em 22.03.2001 no site www.superdownloads.com.br na seção Matérias

   

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Atualizada em: 12.08.2002 - Colaboram com esse projeto: Carlos Alberto Nunes Susviela / Dario de Aquino
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