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Carlos Susviela
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Turbinando Aplicações Clipper Com GNU/Linux


Original da página:
http://www.revistadolinux.com.br/ed/022/assinantes/desenvolvimento.php3

O risco de ser abandonado pelos fornecedores é nulo com a adoção de softwares livres por empresas que dependem do Clipper

Quase 10 anos depois da popularização dos ambientes gráficos nos PCs, e aproximadamente cinco anos depois do boom da Internet, e depois que as empresas dot-com deixaram de ser a coqueluche do mercado, podemos ver em empresas e instituições das mais diversas uma grande quantidade de sistemas escritos em Clipper, baseados na "velha" tecnologia do DOS.

Goste ou não, esses sistemas, sem o charme e o hype do cliente servidor, arquitetura em três camadas e etc, ainda são indispensáveis e insubstituíveis para a maioria dos seus usuários.
Uma grande quantidade de empresas e profissionais vive exclusivamente do suporte, manutenção e aperfeiçoamento desses sistemas, mas sem o apoio do "dono" da ferramenta, a Computer Associates. Ela tentou, timidamente, criar uma versão 32 bits e GUI do produto, chamada de Visual Objects, que, entretanto, não emplacou e foi logo descontinuada.
Muitas dessas empresas buscaram se atualizar migrando para o "clone" chamado FoxPro, depois modernizado no Visual FoxPro, mas também recebem do novo fornecedor um tratamento negligente, não recebendo os recursos disponibilizados em outros produtos do mesmo como o Visual Basic.
Entretanto, o software livre oferece novas oportunidades para empresas dependentes do Clipper de se atualizarem tecnologicamente, sem o risco de serem novamente abandonados pelos fornecedores e sem os custos e incertezas associadas à migração completa para novas tecnologias.


O xBase É Uma Tecnologia Obsoleta?

Quando falamos do Clipper e do FoxPro, estamos na verdade falando de uma série de ferramentas de desenvolvimento derivadas do dBase, que foi a primeira ferramenta a viabilizar o desenvolvimento rápido de sistemas de informação em plataformas de baixo custo. Essas ferramentas são chamadas coletivamente de xBase.
A grande maioria das limitações desta tecnologia são na verdade limitações da plataforma onde ela se tornou popular, o DOS. Lentidão de processamento (em 16-bits), utilização restrita de memória, limites sobre a quantidade de arquivos abertos, incapacidade de usar bancos relacionais, impossibilidade de utilizar recursos da rede, ou operação no modo texto, não são limitações inerentes à linguagem xBase ou às base de dados DBF.
Por outro lado, o Clipper e o Fox fornecem acesso SQL às bases DBF, aritmética exata decimal e recursos de Orientação a Objetos. Os dois últimos recursos estão ausentes ou são muito menos desenvolvidos em ferramentas populares hoje no mercado, como Visual Basic e PHP.
Portanto, a disponibilização desta tecnologia em outras plataformas mais capazes, como o GNU/Linux e o FreeBSD, tem o potencial de fornecer um toolbox de desenvolvimento extremamente capaz. Afinal, temos poucas tecnologias realmente mais novas em uso no mercado hoje, e algumas das mais populares, como o Delphi e o Visual Basic, são baseados em linguagens bem mais antigas do que o Clipper e o Fox.


Clipper de 32 Bits

Não são poucas as opções de implementações das tecnologias xBase em plataformas mais capazes. Existe por exemplo o venerável Recital, utilizado em servidores RISC de grandes empresas pelo Brasil, mas também disponível para o Linux. Temos participantes mais recentes como o FlagShip e o MaxBase, e até uma alternativa livre, o projeto Harbour.
A maioria destas ferramentas suporta não apenas sistemas Unix e Linux, mas também sistemas Windows de 32 bits. Portanto, você não está mais impossibilitado de utilizar Megabytes de memória RAM, estabelecer conexões de rede ou acessar bancos cliente/servidor. Nem é obrigado a mudar para um ambiente estranho. E temos até bibliotecas de componentes que fornecem acesso fácil a todos estes recursos, em vez de nos limitar às bibliotecas fornecidas com as implementações DOS da tecnologia.
Se você considerar o custo de reciclar desenvolvedores já experientes nos processos de negócios que seus sistemas devem suportar, além do risco e custo inerentes de se iniciar um novo projeto de desenvolvimento, pode ser uma opção bem mais segura adotar um dos produtos citados e então ir pouco-a-pouco aperfeiçoando seus sistemas para usufruir dos novos recursos.
Você pode até mesmo escrever front-ends GUI para seus sistemas. Não encontrei referências a recursos RAD GUI em nenhum dos produtos citados, mas seria fácil utilizar o Gtk+ com qualquer um deles, pois todos podem utilizar bibliotecas para linguagem C. E a programação em C com Gtk+ está em um nível bem mais elevado do que uma API de sistema operacional. Se você analisar a qualidade de outras aplicações desenvolvidas com este toolkit, comoo AbiWord, Gnumeric, Gphoto e o Gimp, e considerar que nenhum deles utilizou uma ferramenta RAD visual, não é nada do outro mundo. Mesmo assim, você pode experimentar o uso do Glade para desenhar visualmente a interface de sua aplicação "Gtk clipper".


Web Clipper

Por outro lado, o desenvolvimento GUI já é uma onda ultrapassada no mercado de informática. O quente é o desenvolvimento para a web, e esta tecnologia mais nova, na verdade, diminuiu consideravelmente a distância entre as tecnologias xBase e as alternativas consideradas mais "modernas".
Quem conhece o básico de programação CGI sabe que seria tão fácil utilizar ferramentas do tipo Clipper quanto utilizar Perl ou Delphi. O Flagship, por exemplo, traz uma série de componentes específicos para o desenvolvimento web.
O MaxBase vai além, fornecendo uma extensão de servidor que funciona como um processador de SSS, o MaxPages. Esta extensão tem a mesma facilidade de uso e o mesmo paradigma de desenvolvimento utilizado por ASP, PHP ou JSP, mas utilizando um mecanismo de pré-compilação automática das páginas, que assim pode gerar páginas dinâmicas mais rápidas do que seriam geradas pelos outros processadores de SSS citados.
Mas eBusinness hoje é cada vez mais baseado em XML. Tudo bem, as ferramentas estilo Clipper são capazes de utilizar qualquer dos processadores de XML escritos para C disponíveis na Internet, e são capazes de gerar documentos XML ou WML tão facilmente quanto qualquer outra ferramenta.


Reaproveitando as Bases de Dados DBF

Em vez de recompilar suas aplicações em 32 bits e ir progressivamente substituindo as interfaces texto por interfaces GUI ou web, ao mesmo tempo em que migra aos poucos para bancos cliente/servidor, sua empresa pode adotar outro caminho para resultados rápidos e sat