Turbinando
Aplicações Clipper Com GNU/Linux
Original da
página:
http://www.revistadolinux.com.br/ed/022/assinantes/desenvolvimento.php3
O risco de ser
abandonado pelos fornecedores é nulo com a adoção de
softwares livres por empresas que dependem do Clipper
Quase 10 anos depois da popularização dos ambientes gráficos
nos PCs, e aproximadamente cinco anos depois do boom da Internet, e depois
que as empresas dot-com deixaram de ser a coqueluche do mercado, podemos ver
em empresas e instituições das mais diversas uma grande quantidade
de sistemas escritos em Clipper, baseados na "velha" tecnologia
do DOS.
Goste ou não, esses sistemas, sem o charme e o hype do cliente servidor,
arquitetura em três camadas e etc, ainda são indispensáveis
e insubstituíveis para a maioria dos seus usuários.
Uma grande quantidade de empresas e profissionais vive exclusivamente do suporte,
manutenção e aperfeiçoamento desses sistemas, mas sem
o apoio do "dono" da ferramenta, a Computer Associates. Ela tentou,
timidamente, criar uma versão 32 bits e GUI do produto, chamada de
Visual Objects, que, entretanto, não emplacou e foi logo descontinuada.
Muitas dessas empresas buscaram se atualizar migrando para o "clone"
chamado FoxPro, depois modernizado no Visual FoxPro, mas também recebem
do novo fornecedor um tratamento negligente, não recebendo os recursos
disponibilizados em outros produtos do mesmo como o Visual Basic.
Entretanto, o software livre oferece novas oportunidades para empresas dependentes
do Clipper de se atualizarem tecnologicamente, sem o risco de serem novamente
abandonados pelos fornecedores e sem os custos e incertezas associadas à
migração completa para novas tecnologias.
O xBase É Uma Tecnologia Obsoleta?
Quando falamos do Clipper e do FoxPro, estamos na verdade falando de uma série
de ferramentas de desenvolvimento derivadas do dBase, que foi a primeira ferramenta
a viabilizar o desenvolvimento rápido de sistemas de informação
em plataformas de baixo custo. Essas ferramentas são chamadas coletivamente
de xBase.
A grande maioria das limitações desta tecnologia são
na verdade limitações da plataforma onde ela se tornou popular,
o DOS. Lentidão de processamento (em 16-bits), utilização
restrita de memória, limites sobre a quantidade de arquivos abertos,
incapacidade de usar bancos relacionais, impossibilidade de utilizar recursos
da rede, ou operação no modo texto, não são limitações
inerentes à linguagem xBase ou às base de dados DBF.
Por outro lado, o Clipper e o Fox fornecem acesso SQL às bases DBF,
aritmética exata decimal e recursos de Orientação a Objetos.
Os dois últimos recursos estão ausentes ou são muito
menos desenvolvidos em ferramentas populares hoje no mercado, como Visual
Basic e PHP.
Portanto, a disponibilização desta tecnologia em outras plataformas
mais capazes, como o GNU/Linux e o FreeBSD, tem o potencial de fornecer um
toolbox de desenvolvimento extremamente capaz. Afinal, temos poucas tecnologias
realmente mais novas em uso no mercado hoje, e algumas das mais populares,
como o Delphi e o Visual Basic, são baseados em linguagens bem mais
antigas do que o Clipper e o Fox.
Clipper de 32 Bits
Não são poucas as opções de implementações
das tecnologias xBase em plataformas mais capazes. Existe por exemplo o venerável
Recital, utilizado em servidores RISC de grandes empresas pelo Brasil, mas
também disponível para o Linux. Temos participantes mais recentes
como o FlagShip e o MaxBase, e até uma alternativa livre, o projeto
Harbour.
A maioria destas ferramentas suporta não apenas sistemas Unix e Linux,
mas também sistemas Windows de 32 bits. Portanto, você não
está mais impossibilitado de utilizar Megabytes de memória RAM,
estabelecer conexões de rede ou acessar bancos cliente/servidor. Nem
é obrigado a mudar para um ambiente estranho. E temos até bibliotecas
de componentes que fornecem acesso fácil a todos estes recursos, em
vez de nos limitar às bibliotecas fornecidas com as implementações
DOS da tecnologia.
Se você considerar o custo de reciclar desenvolvedores já experientes
nos processos de negócios que seus sistemas devem suportar, além
do risco e custo inerentes de se iniciar um novo projeto de desenvolvimento,
pode ser uma opção bem mais segura adotar um dos produtos citados
e então ir pouco-a-pouco aperfeiçoando seus sistemas para usufruir
dos novos recursos.
Você pode até mesmo escrever front-ends GUI para seus sistemas.
Não encontrei referências a recursos RAD GUI em nenhum dos produtos
citados, mas seria fácil utilizar o Gtk+ com qualquer um deles, pois
todos podem utilizar bibliotecas para linguagem C. E a programação
em C com Gtk+ está em um nível bem mais elevado do que uma API
de sistema operacional. Se você analisar a qualidade de outras aplicações
desenvolvidas com este toolkit, comoo AbiWord, Gnumeric, Gphoto e o Gimp,
e considerar que nenhum deles utilizou uma ferramenta RAD visual, não
é nada do outro mundo. Mesmo assim, você pode experimentar o
uso do Glade para desenhar visualmente a interface de sua aplicação
"Gtk clipper".
Web Clipper
Por outro lado, o desenvolvimento GUI já é uma onda ultrapassada
no mercado de informática. O quente é o desenvolvimento para
a web, e esta tecnologia mais nova, na verdade, diminuiu consideravelmente
a distância entre as tecnologias xBase e as alternativas consideradas
mais "modernas".
Quem conhece o básico de programação CGI sabe que seria
tão fácil utilizar ferramentas do tipo Clipper quanto utilizar
Perl ou Delphi. O Flagship, por exemplo, traz uma série de componentes
específicos para o desenvolvimento web.
O MaxBase vai além, fornecendo uma extensão de servidor que
funciona como um processador de SSS, o MaxPages. Esta extensão tem
a mesma facilidade de uso e o mesmo paradigma de desenvolvimento utilizado
por ASP, PHP ou JSP, mas utilizando um mecanismo de pré-compilação
automática das páginas, que assim pode gerar páginas
dinâmicas mais rápidas do que seriam geradas pelos outros processadores
de SSS citados.
Mas eBusinness hoje é cada vez mais baseado em XML. Tudo bem, as ferramentas
estilo Clipper são capazes de utilizar qualquer dos processadores de
XML escritos para C disponíveis na Internet, e são capazes de
gerar documentos XML ou WML tão facilmente quanto qualquer outra ferramenta.
Reaproveitando as Bases de Dados DBF
Em vez de recompilar suas aplicações em 32 bits e ir progressivamente
substituindo as interfaces texto por interfaces GUI ou web, ao mesmo tempo
em que migra aos poucos para bancos cliente/servidor, sua empresa pode adotar
outro caminho para resultados rápidos e sat